domingo, 11 de agosto de 2019

Papai, tente sorrir...



Papai

Tente sorrir

Ergue teu rosto, abre tua alma
                                        E tente sorrir para:
Para Deus agradecendo
                                        Pela beleza da vida
E do Infinito
                                        Esqueça todo o mal
Não te afogues na amargura
                                        Deixe que o sol
Ilumine teu caminho
                                        E tente sorrir
Não abaixes a cabeça
                                        Não te assustes com a vida
Ergue os olhos para o alto
                                        Olhe... Olhe para
Onde Ele está...
                                        Sempre pronto a te ajudar
E tente sorrir
                                        Ergue teu rosto
Este rosto tão sofrido
                                        Tão cansado e abatido
Meu pobrezinho querido
                                        E tente sorrir
Olhe o céu abre tua alma
                                        Viva a vida
Mesmo parecendo loucura
                                        Não te afogues na amargura
Tente sorrir
                                        Ergue teu rosto
Olhe a vida como é bela
                                        Olhe o céu como é lindo
Viva a vida
                                        Sempre sorrindo...

Autoria de Lucia Conceição Jordan Lopes em 14 de agosto de 1988, dia dos pais a 31 anos atrás
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sábado, 3 de agosto de 2019

Lídia, à beira do rio.


Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlaçemos as mãos). 

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente.
E sem desassossegos grandes.

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quarta-feira, 31 de julho de 2019

Renascimento


Fresca brisa de um dia de verão
Ouvindo os ecos de seu coração
Aprendendo a recompor as palavras
Deixo o tempo apenas voar

Alegres gaivotas voando nas praias
Nem mesmo uma única nota irá soar
Ergo a cabeça, enxugo meu rosto
Deixo o tempo apenas voar

Relembrando, recuando
Retornando, recuperando
Uma conversa fiada da qual sente falta
Mais sagaz, porém mais velho agora

Um líder, um aprendiz
Um leal iniciante
Um hóspede de insensatez
Tão lúcido em uma selva
Um ajudante, um pecador
O sorriso agonizante de um espantalho

Oh! Minutos giram e giram
Dentro de minha cabeça
Oh! Meu peito irá explodir agora
Caindo em pedaços
A chuva chega ao solo.... cheio de sangue!

Um minuto para sempre
Um pecador se arrependendo
Minha miséria vulgar, acaba

E eu voo nos ventos de um novo dia
Bem alto onde ficam as montanhas
Encontrei minha esperança e orgulho novamente
Renascimento de um homem

Hora de voar






Composição: Bittencourt / Loureiro (Angra)

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quarta-feira, 15 de maio de 2019

Aceitação


Tuas pernas não te sustentam
Não te deixam andar
Estás sempre em tua cadeira
A rodar... A rodar...

A vida te tirou a liberdade
De correr e de dançar
Porém tua sensibilidade
Se pôs a lutar...
Choraste, lutaste e muito amaste

Eu sei, foi preciso força para continuar
Creem te tão fraco...
No entanto és tão forte!
Julgam-te inútil, desolado...
Mas és luz límpida da estrada!
Perdoe a essa gente
Que de forma tão descuidada
Fere-te profundamente
Com essa piedade nefasta
Ao te verem aí sentado...
Não sabem talvez, que a dor mais pungente
É ver tanta gente angustiada
Sem saber caminhar na estrada
Do Verdadeiro Amor...

E já descobriste
Que a felicidade não consiste
Só na capacidade de amar
Já que a construíste
Na realidade profunda
De saber amar e lutar...

José Julio Jordan Lopes


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segunda-feira, 13 de maio de 2019

Um eco no cativeiro


LIBERDADE

UM ECO NO CATIVEIRO


Que tristeza quando penso
Nos povos em servidão!
Nos povos, gigante imenso
Rugindo humilde no chão!
Ao pensar assim comigo,
Quantas vezes eu maldigo
Essa campa de jazigo
Que pesa sobre as nações!
Quantas vezes eu deploro,
Quantas estremeço e choro,
Ouvindo o ranger sonoro
De seus pesados grilhões!

Ouvindo tão tristes queixas
Retumbando por esse ar,
Tantas sentidas endechas
Sobre a terra a suspirar;
Ouvindo-te, humanidade,
Esse gemer de saudade,
Que soltas na imensidade
Sem que te escute ninguém;
Ouvindo-te, ó malfadada,
De teus filhos rodeada,
Suspirar abandonada
Como suspira uma mãe!...

É triste a cena que vejo,
É triste, mas ei-la aí...
Aquém sofismas, sem pejo,
Férreas algemas ali;
Dum lado povos traídos,
Pelos seus escarnecidos,
Soltam queixas e gemidos
Que ninguém quer acolher;
Doutro povos humilhados,
Sob um jugo avassalados,
Por um peso recalcados
Quase nem ousam gemer...

Pobre raça deserdada
Que aí suspiras em vão,
Quando hás-de ter entrada
Na terra da promissão?
Quando hás-de resgatar-te?
Quando é que em toda a parte
Há-de o mundo contemplar-te
Semelhante a um homem só?
Quando raiará o dia
De cessar tua agonia?
Quando terás alegria
Erguendo a fronte do pó?

Hás-de tê-la, que o desterro,
Eia, ó triste, acabará,
Que esse jugo vil de ferro
Em pedaços cairá!
Esgota o cálice inteiro
De teu duro cativeiro;
Porém do solo estrangeiro
Fita ao longe a redenção!...
Esta crença, força e vida
Nos corações mal contida,
Pode acaso ser retida?
Acaso pode?... pode? – Não!

Debalde tentam detê-la
Porque a corrente caudal
Hão-de majestosa vê-la
Transpor o dique afinal...
Tudo no mundo descansa,
Nada progredindo avança,
Tudo avante se abalança
Num eterno caminhar...
Fitai o sol, as estrelas;
Vede se podeis sustê-las,
Se podeis, loucos, fazê-las
Ao vosso aceno parar...

Quem me dera a mim agora
Ter do fogo lá do céu,
Daquele fogo que outrora
Trouxe à terra Prometeu!
Oh! que se eu pudera tê-lo,
Eu havia de vertê-lo
Nessa montanha de gelo
Que inda dos seios não cai...
Sobre a raça amortecida
Dos homens soprara a vida,
E com voz, do mundo ouvida,
Lhes bradaria: – Acordai! –


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